Puxou a cordinha e as portas abriram-se numa desengonçada pancada. A poeira subiu juntamente com tantos dejetos quaisquer. Seguiu pelo velho novo caminho à sombra das mesmas mangueiras e cajueiros. Observava os desenhos de sombra e sol na trilha de concreto, à passos lentos, de quem sabe exatamente em qual corredor sua sala espera, degustando o cheiro dos frutos tropicais que fazem lama nessa época...
Parou.. e reparou na deficiência dos que não dependem de rampas de acesso, e como muitas vezes o homem complica mais do que facilita... Continuou, pelo corredor, passado a vista pelos cartazes, propagandas e detalhes fortuitos que, se registrados, dariam uma bela fotografia, talvez...
Girou a chave, entrou, acendeu as luzes, pôs a bolsa sobre a mesa, ligou o ar-condicionado, cada ato executado como se fosse automático, como se já fosse rotina... mas tudo era novo, toda a encenação.. Sentou, abriu os livros; caneta, cabeça, cadernos e coração.
O chaveirinho de tambor bunitinho ainda balançava, e fazia um barulhinho lembrando a onomatopéia que denuncia o tempo passar...mas o tempo não passava e ninguém batia à porta, tomado por desespero, ou a clamar por ajuda. E ela estava alí: disposta a ajudar, ouvir, ser útil, enfim...mas esquecera que vive num mundo de pessoas independentes, num amontoado de solidões egoístas, na esfera da hipocrisia coletiva!
Desistiu, a moça dos olhos tristes, trancou a porta novamente, trancou-se num cubículo frio - e isso, de certa forma, é até agradável - mergulhou no silêncio das cadeiras, na inexistência de uma presença humana... afogou-se em si e desapareceu.
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