O solitário desabafo

Letreiro em papel, berra às vistas: "Você quer mudar alguma coisa?", pra quê? pra despertar o confronto mental de sempre, que pelo menos vai distraindo dentro do ônibus, pra ela não lembrar que está percebendo aquele cara insuportável encarando-a com a fixação do olhar de um predador nojento e selvagem, e também não se importar com o despeito que provoca nas outras fêmeas, fazer de conta que não tem um quebranto qualquer em sua direção...

Exausta e faminta, de todas as fomes e cansaços possíveis, mudaria tudo, não, melhor: mudaria nada. Isso é esforço inútil. Eu, do alto de minha pseudo-maturidade, cabelos tingidos e ex-fumante, não, melhor pôr as pernas pra cima e pensar a iniciar a revolução da minha cama. Muito me incomodaria ouvir as minhas lamúrias, um incorformismo desgraçado, principalmente de ser Humana e não me contentar com nada, nem com pouco, nem talvez muito...

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