o bandido voltou!

o bandido voltou!
e não deu pra fugir..chegou me tomando de assalto, com seu elo de carne e pêlo em volta de meu corpo, com seu cheiro me entorpecendo.
o bandido voltou!
nem marquez me salva, nem todas as veludosas vozes que vagam nas melodias que encantam, nem tudo nem nada, nada impede, nada detém...talvez nem eu queira, tanto quanto quero.
de repente, o bandido, sob meu lençóis, debaixo do meu vestido, me cobrindo com sua essência, espalhando seu rastro pela minha sala, de novo acalmando meu caos, camuflando a realidade com sua presença de primavera...fingindo que a primavera não vai acabar, mas ainda lembro que quando esquenta muito é porque depois vai esfriar.
o bandido se alimenta em mim, como um vampiro suga todo o sangue quente..e eu permito: seus dentes em mim, sua língua percorrendo meu corpo, o peso de sua mão nos meus pedaços, a lascívia escorrendo de nossas carnes..
eu permito porque o bandido me traz o algo em troca; mesmo que efêmero, mesmo que confuso... ele deixa em mim muito mais, além da misteriosa impressão de que vai voltar...

e eu repito:
bandido, volte sempre...

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