Entretanto, eram amigos a algum tempo. Deitados, não, jogados no tapete felpudo no chão da sala. Estudaram juntos algumas vezes, foram colegas de classe. Ela ficava pensando no que acontecera, mas não sentia vergonha de encará-lo; o toque das mãos masculinas, o cheiro do macho, tudo muito selvagem, mas, por dentro era doce, suave e tranquilo...
...Como o silêncio que circulava no ambiente, embalando dois corpos embriagados de êxtase.Saíram. cada um de seu mundo, de sua confusão, sem esperar ao certo um encontro casual, em lugar algum. Era noite como uma noite banal, cercada pelo concreto, crepitando em pontos de luz suspensos no espaço que iluminavam ruas e aqueciam fantasmas ou espíritos sem luz. Tinha uma mania ele de mecher no cabelo enquanto lia, e assim ía; e ía lendo, assim, bem folgado até se dar conta, novamente, do mundo, da pessoa ao seu lado; que ele conhecia.
Sorriram...da maneira como ela riu ao sair de casa, sem rumo. Tinha na bolsa grande tudo jogado: batom, chaves, preservativo, carteira... e lá no fundo um cd de blues. Trancou a porta de casa, ligou o carro e entrou na livraria. "Meu primeiro salário! mereço um livro...", pensou baixinho.
E agora, eram corpos encaixados, mãos espalmadas, sincronia de movimentos, cabelo e respiração que ia e vinha, ia e vinha, vinha...ás vezes quase faltava! Eram taças de vinho, o ambiente em blues, cheiro dele nela, doce dela nele! Beijo de quatro olhos fechados, perdidos na imensidão de seus cosmos, unidos pelo elo que o braço formava em volta um do outro...
Igual ao abraço na livraria. o abraço de encontrar alguém conhecido. após tanto tempo, após escaparem todos os dias da comum cidade caótica, da mesma rotina monótona, de um dia qualquer! Sentaram, beberam, gargalharam, discutiram - sim! o amor deixa suas marcas - silenciaram, e, de mãos tímidamente tocadas, escreveram mil perdões nas entrelinhas, num diálogo que alí não cabia. O som, o sax, o ritmo, tudo embalava duas vidas no memso tom. intensidade. eles dançavam, brincavam com uma cumplicidade espantosa, escondiam-se, risinhos voluptosos.. ela sutilmente dançava sorrindo sozinha e o fazia de voyer. gostava da sensação de ter o olho dele escorrendo pelo corpo; dava até arrepio, sem nem ser tocada! Ele gostava do sorriso, do rubor na face, do corpo brilhando em suor, dos seus cinco sentidos aguçados pela presença daquela mulher, que tava na turma dos colegas de classe, paqueras de Faculdade, no tempo dos vinte e poucos anos...
Perderem-se, outra vez e mais uma, naqueles cubos solitários, abaixo das luzes dos homens, presos no cotidiano desesperador. e isso não mais desenhavam as vontades. os desejos eram únicos e recíprocos. E aquela música marcou, e o encontro rolou... e, como estavam, vão continuar, mas dessa vez, num infinitivo de dois particulares.
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