Ontem...

Todos pareciam atrasados, sempre correndo, aos tropeços..eu apenas lia as capas de livros na vitrine. Adentrei bibliotecas, me inspirei. E, um pouco mais além das estantes, desse castelo de vidro, as personas fugiam uma das outras, evitando até os contatos mais sutis, cercadas pelos seus muros cinzas. Eu pixo: tem alguém aí?..e as fagulhas de rispidez voam atingindo pessoas sãs.

Eu tento ouvir com minhas mãos espalmadas. Devoro filósofos e filosofias, mas continuo me sentindo vilipendiada, inerte num mundo insano. Prossigo na contra-mão da procissão, pele queimando a cada pingo de parafina aquecida, talvez estejam todos velando essa vida efêmera, que num sopro mais forte, pode apagar a chama...

Transpirando multidão, me disperso no aglomerado urbano, na selva de concreto e aço, entre os demais e tantos. Nós vamos sempre em frente, no ritmo do tempo, fingindo que não nos importamos, que a humana emoção é inatingível... mas daqui a alguns minutos, cambalearei ao tentar retomar, refazer, re-agir, e o dia transformar-se-á em ontem, e cada um viverá de seu passado...

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