no instante em que a energia falha e a brisa antes fria, vêm em forma de ventania, levantando todo o cisco de lembranças escondidas debaixo dos cachos tingidos de castanho; neste exato instante ela chora, embora as gotas não caiam de seus olhos e o suor escorre pela pele morena. absorvida pelo frisson do momento, ela confessa:
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Casada a três anos, amor de muito. Traições tantas, talvez em partes iguais. Aqui nessa cama de motel, o verme, imundo, chafurda dentro de mim. Ninfomania. Talvez sim, puta, ordinária, certamente não valho nada. Não sei bem do início, tudo parecia tão normal. Não fui molestada na infância, cresci assistindo desenhos...mas, desde pequena, em frente ao espelho, sempre me olhei nos olhos, e sentia que eu não era eu... Casamento perfeito, filhos lindos, quem soubesse pensaria Vadia não te falta nada. é uma ausência absurda que vêm de dentro e sobe sobe sobe, me sinto fora de mim, consigo penetrar dentro de qualquer um, como um verme. é como se esse verme me consumisse e invadisse outras pessoas através de mim, outras tantas tão doentes quanto eu. há um verme dentro de mim. quando se meche, esquenta e eu não consigo parar. mas eu bem sei que quando esquenta muito é pq depois vai esfriar.então eles descansam. o verme descansa numa poça nojenta de um gozo. eu sinto nojo do sêmem no meu corpo, sinto nojo do odor, do suor, do verme, de mim...nada purifica, nem tantas tentativas insanas de matar esse desejo sem nexo, esse sexo tara imunda. Quando chegar em casa e abraçar meus filhos, como todas as vezes, sentirei mais medo que remorço. medo de ter passado essa loucura pra eles, já que a biologia me ensinou que existe metade de mim neles..rezo para que não tenha sido a minha banda podre. rezo pra que Deus me escute, rezo pra que essa transa acabe logo, pra que ele goze, pra que ele o verme se acalme... mas ele não me deixa em paz......
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eu gostaria de não poder saber dessa dor... mas eu sei que dói tanto...
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