Perseguindo Carol por entre suas leituras diárias, lá estava a saudade. Emudecida e contagiosa. Voava de canto em canto. Levantava os braços, acenava, batia asas o mais forte que podia, e a ventania varria as ruas. Pessoas, com olhos cheios de cisco, choravam copiosamente... Mas, Carol não percebia. Tão absorta nas estrelas, no pulsar cintilante da esperança, na inalcançável imensidão. Carol não a sentia por perto, até aquele dia em que se descobriu espiada pela saudade.
Mas, de onde ela veio?
A saudade bailava pelos ares, em seu compasso cadente. Tão egoísta e tão livre. Até avistar o terno moço, sob a sombra do ipê florido, escondido a observar...Carol lia absorta, acariciava a grama e o moço a olhar, a amá-la cada vez mais. Saudade ali ficou, a sentir os dedos de carol sob suas asas enquanto fechava os olhos e a pintava em sua memória...a tela mais bonita que a si fez.
O jovem moço cantou baixinho uma melodia e a saudade, imóvel, flutuou na direção de Carol. Teria sido notada, se não tivesse levantado-se de repente, deixando apenas seu perfume como um rastro no ar.
E a saudade a seguiu, levando consigo a melodia, o olhar e o desejo. Conseguiu, a muito custo, se esconder dentro do livro que Carol estava a ler. Num instante de distração, em mais umas das tentativas de se fazer visível, a saudade se colocou entre a tinta e o papel, e alí aguardou horas, semanas...anos.
Até o dia em que Carol se cansou de admirar estrelas e abriu as palavras, libertando sua voz. Ali, murcha e quase morta, Carol encontrou a saudade. E conversaram por horas a fio..
Mas, por onde ele anda?
A saudade com Carol ficou..e as guiavam, a esperança.
Um comentário:
profundo... prazer, carol.
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