- Lá está... do mesmo jeito que vi noite passada.
Uma parada, um ponto...os automóveis seguem loucos e certos de seus destinos. Água respinga do céu de maio. Olho no alto, pensamento atinado.
- Taciturno, absorto e um tanto displicente...
Imaginava o fervor de subir cada degrau, num compasso dissonante; um calor de esmorecer. Delirava e esquecia... e, quando não conseguia, pelo menos esforçava-se pra não pensar. Lembrar, já é morrer de pouquinho...
De repente, sumiu por detrás das plantas.. mas continuava alí, como quem se esconde por sentir que tivesse os movimentos vigiados.
No asfalto, lá em baixo, ônibus engoliam e vomitavam pessoas; cada um com suas frustrações, desejos e sandices. Todos imersos em universo particular, quase suspensos no espaço vazio, sem "ao redor".
- A distância não é "tanta"..
Pensava na relatividade das coisas, nas milhares visões de mundo... cada um de nós imerso em nossa própria arrogância... E, pelo vai e vem das luzes nas vias, sentia o tempo escorrer na mesma velocidade e leveza das gotas descendo no vitral...
- Todos seguem o intinerário da solidão!
Sereno da noite pinicava a pele, e a percepção aguçava. No chão e um pouco acima, pensamentos rimavam com vigília. Instantâneamente, sem serem recíprocos.
- Um olhar nivelado a outros olhares, faz-me falta...
- Com asas no pensamento e pés no chão sem ser visto...
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