"Tolo é o filho que depende do pai, que se apóia em sua segurança e desiste de desbravar o mundo por si."
GIULIANO, rapaz até bem parecido; traços forte, cheiro de homem.O belo moço, que outrora trajava esporte fino, e no andar descuidado que seduzia as meninas da escola, tropeçou na roleta do jogo e cheirava vícios.
Bêbado, Giuliano morreu com a cabeça num poste: alcool e sangue absorvidos pelo concreto sedento. Lágrimas sobre meus lábios, lembrando do gosto dos dele.
Não havia consolo no cigarro, mas as flores em volta do caixão estavam cheias de bem-te-queres; embora, talvez nem o quisessem tanto assim, quando trigueiro.
Mas aquele riso vadio de canto de boca ainda estava no rosto pálido do antes moreno; e me fez lembrar tuas mãos na minha cintura, teu aperto..te quis tanto naquele momento, vivo e quente.
Hoje, muito tempo já se foi..só ele não envelhecerá, nem sentirá mais as dores inexplicáveis que faziam sua cabeça descansar em minhas pernas; eu sinto uma terna saudade das dores dele, e das rugas na sombrancelha quando ele estava absorto em um pensamento incógnito.
Eu não sei se é por causa da lembrança do jeito tímido e inseguro que reconheci por trás da armadura de machão, ou por causa do gosto de pureza que ele deixou na minha boca, naquele dia, entre a rede e a cama; é como se Giuliano estivesse do meu lado, de alguma maneira, sabendo que estou pensando nele, lembrando dele e daqueles exatos dois minutos à sós.
Somente o devaneio, agora me resta, que naquele dia de flores e velas eu tive: se explicação existe, porquê?!
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