Não precisa indicar a saída, a porta ainda está aberta e assim vou deixá-la, caso a janela pareça pequena demais pra me ver partir. Acenda o cigarro, dê longos tragos e goles curtos no gim, pra molhar a garganta seca de tanto gritar, espernear, enquanto eu estiver longe. nós somos recheados de orgulho inútil, que sequer nos faz dar valor à poesia de todos os dias. eu e o mundo inteiros, centenas de milhares de opostos singulares. cada um no seu universo, imerso em cada própria solidão, ilumindaos pelos focos de luz em postes, errantes pelos caminhos, vitoriosos a cada golpe de sorte.
E agora, te sobra uma casa repleta de lembranças nossas. Sala, quarto, chuveiro e tapete, tudo aqui tem o aroma de quando estávamos ligados, num elo de braços, na confusão das bocas. Nada substitui, portanto, embriague-se e adormeça... este momento vai passar.

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